Quintou?
Hoje me convidaram para sair para um Quintou. Cerveja gelada, música e galera.
Tudo que eu queria era exatamente o oposto: chegar em casa, descansar, ficar quentinha com meus cachorros e comer bem. Como tenho FOMO, pensei por que eu não quero ir?
15 graus é um por motivo. É tão desanimador passar frio na rua e em pé, afinal nem sempre tem aquele banquinho. Depois pensei na comida oleosa cara e como está no final do mês e não posso gastar. Então, pensei que antes isso não era problema, então culpei a idade. Depois dos 30, é assim.
Porém, contudo, todavia, entretanto…minha mente não é fácil. Continuei buscando o motivo, afinal, eu ainda tenho energia, gosto de beber e comer um pastelzinho de vez em quando. Cavucando, lembrei de 10 anos atrás, quando meu trabalho me sobrecarregava e eu fugia em uma terça feira qualquer para beber até tarde, ficava com quem não me valorizava, comia mal e mal dormia. Eu não tinha uma casa, eu tinha um apertamento, com pouquíssimos móveis baratos (para que investir se eu sempre estava me mudando?) e pouca comida na geladeira.
Nem tudo era ruim, tive boas risadas, amigas queridas e viagens incríveis. Fiz um mochilão na Europa e aproveitei muito, muito mesmo, que até cheguei a perder um trem em Berlim. E quando eu voltava, eu só pensava para onde seria o próximo lugar.
Quando fui morar em Manaus, comecei a sentir o desconforto de que nem tudo é trabalho e o quão surreal é ter pessoas que efetivamente querem saber sobre a sua vida. A mudança estava começando e engatei em um namoro tão profundo, que chamei-a para uma loucura de uma vida nômade.
9 meses. 4 estados. Diversas viagens. A vida acontecendo com apenas uma mochila nas costas pulando de um apartamento antigo sem cortinas e sem panelas de teflon para um stúdio claustrofóbico, caro e sem fogão para uma casinha de madeira e por aí vai; cheio de perrengues e muita história para contar.
Toda essa volta para dizer que depois de tantas chaves devolvidas, eu só queria um lugar para chamar de meu. Mais do que isso, eu queria que o lugar tivesse cheiro de lar, fotos da minha família e um quadro que eu ajudei a escolher. Depois de uma semana intensa, eu não quero fugir, eu quero tomar um banho quente, respirar, beijar minha esposa, agarrar meus cachorros e sentir o acolhimento de um lugar que eu nunca nem mesmo sonhei, porque não achava que isso seria possível.
Claro que tem briga, cocô de cachorro e choro. A vida não é uma comédia romântica que se encerra no casamento. Aqui é apenas uma reflexão e um recorte, de um dia que eu disse não para algo que um dia eu jamais diria não, e estou bem com essa nova eu.
Quem sabe na próxima quinta.